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Destruição em grande escala de florestas autóctones ao longo de faixas secundárias na região de Coimbra

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Continuam a ser realizados cortes rasos massivos ao longo de faixas secundárias da E‑Redes nos arredores de Coimbra, arrasando áreas em bom estado de conservação na zona periurbana, zonas de alta densidade populacional e de baixo risco de incêndio. São práticas insustentáveis, desproporcionadas e totalmente injustificadas, especialmente num contexto em que entrou em vigor, em janeiro de 2026, o Despacho 675/2026, que consagra a necessidade de gestão diferenciada e adaptada ao contexto local.

Esse mesmo despacho reconhece a importância de soluções de adensamento da vegetação e ensombramento, promove a integração de florestas de folhosas autóctones como uso compatível e valoriza habitats sensíveis, espécies protegidas e estruturas ecológicas. No terreno, porém, assistimos ao inverso: decisões permissivas, falta de critérios técnicos claros e ausência de fiscalização, que permitem a destruição arbitrária de ecossistemas e a consolidação do corte raso como padrão cada vez mais frequente.

Por coordenação do Movimento Faixas Vivas, já tínhamos alertado, em documento enviado ao ICNF em dezembro do ano passado, para estas mesmas fragilidades. Apesar de saudarmos avanços importantes, sublinhamos a natureza excessivamente permissiva de muitas formulações, que permitem conservar áreas de floresta de folhosas (desde que não exista risco de colisão com as linhas e que se assegure a descontinuidade vertical de combustíveis) sem, contudo, impor qualquer obrigação de boas práticas ou de tomadas de decisão sensatas. Não é exigida qualquer qualificação formal dos técnicos responsáveis, o que abre caminho à continuação das práticas generalizadas: o corte raso, tecnicamente mais barato, mas que gera enormes prejuízos ao nível da erosão, perda de biodiversidade, estabelecimento de espécies invasoras e proliferação de combustíveis finos, muito mais inflamáveis. A conservação de bosques nativos, que hoje cobrem menos de 5% da área florestal da região, não pode ficar ao critério da conveniência ou da disponibilidade do técnico em causa: deve ser uma obrigação clara e vinculativa!

É urgente romper com esta lógica de resposta imediata, dispendiosa e altamente lesiva. Precisamos de soluções estruturais que integrem gestão de incêndios, biodiversidade e riscos climáticos, de práticas que reforçam ecossistemas nativos, em vez de os empobrecerem. O avultado investimento público e privado investido tem de servir para regenerar o território, não para o devastar!

A Milvoz encontra‑se neste momento em contacto com a E‑Redes, colocando‑se à disposição para acompanhar e apoiar a implementação de práticas mais apropriadas e ecológicas nas zonas mais sensíveis da região.