Na tarde de 24 de setembro, um incêndio rural deflagrou em Almalaguês, nas proximidades da povoação de Trémoa. Impulsionadas pelo vento forte, as chamas apresentaram uma evolução inicial muito rápida, levando à mobilização de um elevado número de meios terrestres e aéreos. Apesar dos momentos de maior preocupação, o trabalho dos operacionais permitiu progressivamente controlar a evolução do incêndio. Felizmente, a Bio-Reserva Senhora da Alegria não foi atingida pelas chamas. Também outros núcleos relevantes de vegetação autóctone existentes nesta região ficaram a salvo, tendo a área ardida incidido sobretudo sobre manchas de eucaliptal não gerido.
Este incêndio deixa, contudo, um importante alerta. Parte significativa da área agora percorrida pelo fogo já tinha ardido em 2019. Apenas sete anos depois, o rápido crescimento do eucalipto e a ausência de gestão permitiram novamente a acumulação de grandes quantidades de biomassa combustível, criando condições para uma nova ocorrência de elevada intensidade.
O sucedido em Almalaguês evidencia, assim, a importância de repensar a gestão das áreas ardidas e das extensas manchas de monocultura de eucalipto. Sem uma gestão adequada e uma transformação progressiva da paisagem, os territórios permanecem vulneráveis à repetição de ciclos de incêndio em intervalos cada vez mais curtos.